Pesquisa aponta que apenas 64% do tempo em sala de aula é para transmissão de conteúdo

Apagar a lousa, fazer a chamada nominal dos alunos, distribuir trabalhos e ministrar aulas mal preparadas. A metodologia brasileira de dar aulas faz com que os estudantes percam em média um dia na semana. O desperdício de tempo nas escolas do Brasil foi uma das principais conclusões de um estudo recém-lançado pelo Banco Mundial que analisou o trabalho de professores na América Latina e seu impacto sobre a qualidade do aprendizado, a formação dos alunos e o desempenho desses países em rankings internacionais de educação.

O Banco Mundial avaliou 15,6 mil salas de aula, mais da metade delas no Brasil (turmas dos ensinos fundamental e médio em MG, PE e RJ), e calcula que, em média, apenas 64% do tempo da classe seja usado para transmissão de conteúdo, 20 pontos percentuais abaixo de padrões internacionais.

Especialista em educação brasileira há 20 anos, Bárbara Bruns, uma das autoras do estudo, afirma que o tempo perdido ajuda a explicar o desempenho abaixo da média de países latino-americanos. “Em escolas no leste da Ásia, Japão, Cingapura, Finlândia e Alemanha, você não vê professores chegarem à sala de aula sem um material pronto, sem essa percepção de que o tempo precisa ser usado para ensinar e manter os alunos engajados. E com frequência nas salas de aula da América Latina parece haver uma falta de organização por parte do professor. Não parece haver a percepção da limitação do tempo e do que economistas chamam de custo de oportunidade de não usar esse tempo para o ensino” diz ela.

Bárbara defende que os professores têm de aprimorar o momento que estão com seus alunos. “O tempo entre alunos e professores na sala de aula é o ponto em que culminam todos os investimentos em educação: gastos com salários dos professores, com a formulação do currículo escolar, infraestrutura, material, gerenciamento. Nada desse investimento terá impacto na melhoria do aprendizado, a não ser que impacte no que ocorre na sala de aula”, avalia.

Para a pesquisadora a melhor maneira de resolver o problema é mudar a forma como o professor é preparado antes de entrar no sistema de ensino, ensiná-lo como gerenciar uma sala de aula, por exemplo. Autoridades também precisam apoiar os professores que já estão em sala de aula. “Eles (professores) precisam receber feedback sobre sua performance, ver bons exemplos e ser estimulados a compartilhar conhecimento”, opina.

Fonte: BBC Brasil 

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