Do físico ao digital, os livros e o avanço do conhecimento

Do físico ao digital, os livros e o avanço do conhecimento

É fato que o livro está associado à evolução da humanidade, quando se pensa que, ao longo da história, tem sido uma ferramenta essencial para o progresso da civilização. Surgiu com as tábuas de argila, usadas pelo povo sumério, três mil anos antes de Cristo, na Mesopotâmia, atual Iraque. Mas, foi na década de 1450, que o alemão Gutemberg inventou a prensa e trouxe velocidade à produção e disseminação dos livros. 

Nos tempos atuais, a experiência que vivenciamos com a pandemia nos impôs novos desafios, em relação às possibilidades de formatos dos livros e metodologias de aprendizado. A globalização também encurtou este caminho na troca de informações. Graças aos recursos tecnológicos, ganhou-se um novo modelo, o e-book, mais acessível e democrático para todos: docentes e estudantes. 

Dentro do universo educacional, o livro tem caráter insubstituível. É o instrumento que possibilita que o conhecimento do passado chegue ao presente e as descobertas de hoje se perpetuem no futuro.

Digital ou em papel, cada uma das versões tem seu espaço dentro das preferências dos estudantes e das características de modalidades dos cursos: presencial ou a distância. Ambos proporcionam experiências diferentes, mas que seguem o mesmo objetivo de disseminar o conhecimento, construído como legado para as novas gerações.

Marcos Evandro Galini, pedagogo, mestre em educação, coordenador de cursos EAD, supervisor de mediadores EAD na UNIVESP e Coordenador EAD na Faculdade Campos Salles, em conversa com o Blog da Minha Biblioteca, faz uma análise minuciosa deste universo do livro digital e sua importância no contexto atual da Educação. 

Metodologias de aprendizagem à distância

O livro, como fonte de conhecimento, tem seu valor no âmbito pessoal e coletivo e abre novas frentes do saber na jornada da aprendizagem. E a tecnologia trouxe novas e muitas possibilidades para que esta relação livro-indivíduo se fortaleça.  

É neste contexto, que as bibliotecas digitais das IES permitem um maior acesso às informações, observa Galini. “O livro pelo livro tem pouco potencial de aprendizagem, se não estiver integrado a um projeto pedagógico de curso consistente, atrelado às metodologias ativas e tecnologias educacionais, que possibilitem o protagonismo do estudante e o incentive à independência acadêmica”.

No universo do ensino a distância, o educador considera que o livro continua e sempre será instrumento fundamental para o processo de construção do conhecimento dos discentes, servindo como um excelente recurso de contato com a produção das diversas áreas do saber, que foram construídas pela humanidade, ao longo do tempo em diferentes espaços e contextos. 

Hoje, o estudante tem acesso a uma ampla gama de informações, de uma forma integrada com as tecnologias utilizadas nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) e em outras tecnologias e recursos disponíveis nos celulares, tablets e notebooks. Segundo Galini, na nossa sociedade informacional, a qual está assentada no uso das tecnologias e compartilhamento das informações, o livro tem papel essencial na disseminação do conhecimento, acumulado nas redes estabelecidas pela tecnologia e precisa estar presente nas estratégias didáticas de cursos na modalidade EAD. 

Na visão de Marcos Evandro Galini, ele deve estar integrado com outros recursos didáticos disponíveis nos AVAs, como tarefas, questionários, fóruns, wikis, chats, vídeos e blogs para potencializar o processo de aprendizagem dos estudantes. “Desta forma, alinhado ao projeto pedagógico de curso e às ferramentas digitais do AVA, o contato do livro pelo discente potencializa a difusão e construção autônoma do conhecimento”, destaca.

Por uma educação efetiva

Deve-se sempre ter em mente que, para que as tecnologias educacionais e livros didáticos tenham efetividade educativa, é essencial um projeto pedagógico consistente, que possibilite a integração de todos esses recursos, bibliografia bem escolhida e coerente com a proposta pedagógica e boas estratégias didáticas. “Também é fundamental ter professores capacitados para compreender o potencial dos acervos digitais, para o processo educativo e a construção de um conhecimento realmente significativo e contextualizado”, sinaliza.

Neste sentido, na indicação da bibliografia, o docente deve levar em consideração aspectos como: a aderência ao projeto pedagógico do curso; a necessidade de atender a ementa e os objetivos de aprendizagem do plano de ensino e da disciplina, e, ainda, a escolha de obras contemporâneas, atuais, contextualizadas e pertinentes para a formação do estudante. 

“Sem estes elementos, o livro físico ou digital fica “solto” no projeto de curso e, consequentemente, pouco efetivo em aula. O papel de curador do professor também é essencial na escolha de obras e demais materiais didáticos de qualidade, para a formação do estudante nos cursos, nas modalidades presencial e a distância. É primordial olhar o projeto pedagógico do curso, o perfil da turma, as estratégias didáticas a serem desenvolvidas, a avaliação, atualização e integração do conteúdo a ser disponibilizado, os recursos tecnológicos utilizados, além das questões de inclusão e acessibilidade do material”, destaca.

Mas, no cenário atual da Educação, o desafio é estimular a autonomia e protagonismo dos estudantes, para que se mantenham engajados e ativos, mesmo à distância. Para Galini, o professor é o principal executor do projeto pedagógico e grande incentivador do conhecimento em sala de aula, presencial e/ou virtual. Quando ele conhece a obra, sabe o seu significado para o processo de aprendizagem e a sua importância para a formação do pensamento crítico dos futuros profissionais. Assim, consegue transmitir de forma mais autônoma o conteúdo e instigar o interesse pela leitura.

“O docente tem que interiorizar e compreender o potencial dos acervos digitais, para disseminar aos seus estudantes. A experiência mostra que o docente tem papel fundamental no maior uso destes acervos, quando ele conhece os recursos disponíveis das bibliotecas digitais e indica as obras em suas aulas, virtuais ou presenciais. Um grande erro das instituições de ensino é não capacitar os professores para o uso efetivo dessas plataformas”, ressalta.

O educador ainda pode exemplificar essa teoria. “Nas tarefas e atividades de aprendizagem, no ambiente virtual, o professor pode colocar o link do capítulo do livro disponível no acervo digital para estudo, aprofundando e contextualizando a atividade a ser realizada em sala de aula, possibilitando a localização imediata do conteúdo a ser estudado, facilitando o seu uso educativo pelo estudante”.

O exemplo da UNIVESP

A UNIVESP, Universidade 100% EAD do Estado de São Paulo, na qual Galini é supervisor de mediadores, é uma das IES parceiras da Minha Biblioteca. Na Instituição, para potencializar o uso do acervo digital da biblioteca, os professores conteudistas são capacitados para utilizar os recursos da plataforma e indicar os capítulos dos livros na estrutura didática das disciplinas. 

“Incentivamos, ainda, os mediadores de aprendizagem (tutores) para sugerirem leituras complementares de livros da plataforma, via ferramentas dos fóruns de discussão, tarefas e reuniões online (lives). Nos componentes de Estágio, Projeto Integrador e TCC, os estudantes contam com um rico acervo digital de pesquisa, para o desenvolvimento de seus projetos e estudos”. 

E complementa: “Em tempos de pandemia, vimos a importância dos recursos digitais para o processo de aprendizagem e o acesso ao livro, por meio de diversos dispositivos, em especial, os celulares, com seu uso potencializado neste período, permitindo ampliar a capacidade de estudo e pesquisa dos discentes e, também, docentes”.

Outra estratégia para estimular o estudante a explorar o mundo da leitura, de forma autônoma e ativa, é, em termos de metodologia, não tornar a leitura algo burocrático, que sirva somente para responder algumas perguntas, descontextualizado com a realidade e o conteúdo programático da disciplina, em testes e avaliações. “A experiencia do leitor tem que ser relevante. Este universo do livro deve estar atrelado a métodos inovadores, ativos, colaborativos e híbrido (presencial e online), que integrem este conhecimento a um exercício de aprendizagem que seja prazeroso para o estudante”.

Livros digitais e suas características complementares

Um questionamento comum no setor educacional é sobre o apelo dos livros digitais. Eles não podem ter o mesmo “encantamento” dos livros físicos, como o cheiro e o toque. Então, quais outras características devem ser exploradas?

Galini entende que são experiências diferentes, mas que seguem o mesmo objetivo de disseminar o conhecimento construído pela humanidade para as futuras gerações. “Se, por um lado, o livro digital não oferece esses apelos emocionais, por outro, é prático, moderno, acessível, permite incorporar recursos como realidade aumentada, 3D, hiperlinks, vídeos e outros itens midiáticos. Também possibilita uma leitura em formato digital em diferentes dispositivos, de forma online e offline. Para as novas gerações, que nasceram no mundo tecnológico, esta possibilidade do uso dos acervos digitais é significativa. Além das bibliotecas virtuais pagas, também é possível ter acesso a obras digitais de domínio público, possibilitando um aumento na interação com conteúdos de qualidade”, destaca.

A verdade é que, independentemente do formato, os livros são fontes confiáveis e indispensáveis na atualização em diversas carreiras. E o fato é que, nos cursos EAD, o uso deles se faz de forma virtual e física. “O estudante EAD possui diferentes perfis e estilos de aprendizagem, portanto, é preciso ampliar o uso do livro, disponibilizando, tanto os acervos físicos, como digitais. Sabemos que alguns precisam da consulta e do estudo individual. Mas, também, é necessário o estudo em grupo, em espaços físicos das instituições”.

Se voltarmos o olhar para as IES, os livros digitais oferecem vantagens. Galini destaca a facilidade do acesso e a economia, por meio de uma otimização do acervo, agregando o digital ao físico, nos cursos. No entanto, pondera que este processo tem que ser feito em parceria com os professores e a coordenação e alinhado com o projeto pedagógico da disciplina, para o seu uso efetivo. 

O presente é híbrido

Se pensarmos nos dias de hoje, Galini destaca que já é possível enxergar, com mais clareza, a realidade do ensino híbrido, aproveitando o melhor do presencial e do online, possibilitando estratégias, como a sala de aula invertida, ensino por laboratório e salas de aula rotacionais. “Ainda temos presente as metodologias ativas, indispensáveis no mundo atual, como a Aprendizagem Baseada em Problemas e em Projetos, Aprendizagem por Pares e Times, Movimento Maker (mão na massa), Recursos como Realidade Aumentada, 3D, Gamificação (avatares, premiações etc.), Inteligência Artificial (IA); Mineração de Dados, Internet das Coisas (IOT), que podem ser incorporadas nas metodologias educacionais e no desenho instrucional de cursos EAD, híbridos ou presenciais”.

Neste contexto, as plataformas e recursos digitais têm um papel fundamental, para possibilitar uma aprendizagem, de fato, significativa, contextualizada, ativa, colaborativa e personalizada para cada estudante.

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