Primeira biblioteca digital para cegos recebe prêmio da OEA

 

A Organização dos Estados Americanos (OEA) acaba de premiar como uma grande ferramenta de inclusão a primeira biblioteca digitalizada para cegos. Desenvolvida por um deficiente visual, o argentino Pablo Lecuona, a biblioteca recebeu o nome de TifloLibros pelo seu fundador.
Tiflos é uma ilha de onde os cegos eram banidos, segundo a mitologia grega. “Não se trata de que o mundo se adapte ao deficiente, mas que ele encontre as ferramentas para a inclusão”, argumentou o homem de 41 anos, que ficou cego ainda criança após ter nascido com pouca visão.

A ideia de Lecuona é que as pessoas tenham um “olhar diferente” sobre sua deficiência. Ele começou sua aventura com a convicção de que com “a cegueira não acaba o mundo”, disse à Agence France-Presse. “Ganhamos o primeiro prêmio entre 600 projetos que foram apresentados na Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre contribuição para a redução da pobreza e da desigualdade na América Latina e no Caribe”, disse Lecuona. Ele sente que agora é uma “responsabilidade pensar muito bem” em como investir estes 75 mil dólares que receberão em meados de novembro, verdadeira fortuna para a ONG, garantiu.

O início não foi fácil. O argentino começou com seu precário computador trabalhando de casa. Hoje, a TifloLibros passou para uma casa alugada onde trabalham 14 pessoas. Dispõem de uma impressora em braile e um scanner digital, enquanto continuam sonhando com uma sede própria num centro cultural, promessa feita pela prefeitura de Buenos Aires. O espaço virtual já conta com cerca de 50 mil livros em espanhol.

 
Ideia foi pioneira no mundo

 
O primeiro impulso da ONG foi um prêmio internacional de 2,5 mil dólares em 2003. O projeto não tem financiamento oficial e se diversificou em uma rede social, a Tiflonexos. Hoje, tem 7,5 mil inscritos de forma gratuita e 300 instituições participantes.

A TifloLibros foi precursora em se preocupar na leitura para cegos. Dois anos depois do nascimento dela, saiu nos Estados Unidos a biblioteca virtual BookShare. “Mas eles começaram com um milhão de dólares, não um computador caseiro. E eles cobram 50 dólares anuais pela inscrição”, explicou Lecuona, rindo. Um tempo depois, na Índia, foi lançada a rede social Inclusive Planet, que tem sua própria biblioteca.

Fonte: Portal UAI

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